Conhecer histórias de vida e a jornada de pessoas que projetaram uma vida e carreira que alinham seus valores, habilidades e sonhos é uma excelente fonte de inspiração, afinal de contas você também pode fazer o mesmo. Só precisa dar um primeiro passo.

Na entrevista de hoje vamos conhecer o Tales Gubes, que é um gaúcho formado em jornalismo e que adora trabalhar com processos de transformação humana por meio da criatividade.

Ele é o fundador do Ninho de Escritores, uma escola que acolhe pessoas que desejam aprender a escrever melhor e também facilita a Oficina de Carinho, uma iniciativa colaborativa que promove experiências de cuidado e conexão entre pessoas. Além disso está com vários outros projetos na gaveta, relacionados a construção de experiências de vida melhores para as pessoas.

 

Bora conhecê-lo melhor?

Qual a sua visão sobre a vida?

De forma geral, acredito que há alguns valores que merecem ser defendidos. Entre eles, está a honestidade, a não-violência, a liberdade e a conexão entre as pessoas. Uma vida que estimule esses valores é uma vida que vale a pena ser vivida. Quando esses valores estão em perigo ou em falta, com frequência o que encontramos é sofrimento, dor e tristeza.

Qual a sua visão sobre o trabalho?

Acredito que todos deveríamos trabalhar melhor, o que não significa de forma alguma trabalhar mais. Gosto de pensar que o trabalho está a serviço da preservação da vida – e isso diz muito sobre tantos trabalhos que vemos por aí cujo propósito é maximização de lucros de algumas poucas pessoas em detrimento da experiência de vida de muitas outras. 

 

O que você inicialmente planejou fazer com a sua preciosa e única vida?

Quando criança, eu queria ser escritor famoso. Já pensei também em ser advogado e arqueólogo, mas acabei entrando no jornalismo e dedicando cada vez mais energia à escrita. Mais do que escritor, porém, acho que famoso era o que eu queria inicialmente.

 

 

 “Uma vida bem vivida é aquela que alinha bem propósito e prazer. Ter boas experiências com bons amigos e dar bastante risadas.”

 

 

Você precisou fazer mudanças de rumo ao longo do caminho? Como você percebeu que eram necessárias e como fez para concretizá-las?

Certamente! Eu abandonei a escrita quando descobri que muitas pessoas já escreviam melhor do que eu. Na época, eu vivia trancado no meu quarto, sem socializar muito além do período em que estava nas aulas. Quando vi que colegas não apenas escreviam bem, mas também tinham vida, entendi que a escrita não era pra mim. Decidi virar professor. Para isso, concluí minha graduação, fiz uma especialização e depois um mestrado. Eu acreditava, nessa época, que havia um único caminho para concretizar meus planos – o caminho tradicional da formação acadêmica.

 

Como você descobriu que gostava de fazer o que faz hoje?

Eu já era professor, mas não estava feliz. Meus alunos não queriam as aulas que eu oferecia, mas faziam fila para conversar comigo sobre questões importantes relacionadas às suas vidas. Eu sabia que era capaz de tocar os outros por meio da minha escrita, então decidi voltar a dedicar energia para isso. Levei um tempo para tirar do caminho a ideia absurda de que eu precisava ser um escritor maravilhoso e perfeito. Só depois disso consegui me libertar o suficiente para criar o Ninho de Escritores e começar a apoiar outras pessoas cujos sonhos também estavam bloqueados. 

 

Por que você faz o que faz hoje?

Tudo o que eu faço é para que outras pessoas não precisem passar pelos mesmos obstáculos que eu passei. Eu sou um cara privilegiado, branco, família de classe média, e ainda assim enfrentei um monte de problemas e travei várias vezes. Isso não faz sentido pra mim. Por isso, eu trabalho para criar um mundo em que as pessoas tenham oportunidade de crescer e de se desenvolver. Muitas vezes, tudo o que as pessoas precisam é de um apoio, um incentivo, uma lembrança de que são capazes de realizar o que procuram. Outras vezes, precisam de um pouco mais de conhecimentos ou técnicas – e tudo isso eu posso oferecer. Ao contrário do que acontecia quando eu dava aulas que não interessavam aos meus estudantes, hoje eu trabalho cuidando daquilo que mais importa para as pessoas que me procuram: sua arte, sua vida.

 

Quais foram as habilidades que você precisou desenvolver para atingir seus objetivos? Onde e como você buscou desenvolvê-las?

Somente há alguns anos eu comecei a perceber que deveria desenvolver minhas habilidades de forma mais consciente. Antes disso, foi mais pela sorte. Aprendi a escrever por meio da minha paixão pessoal e da faculdade em jornalismo. No mestrado, comecei a ajudar meus colegas a escrever. Quando virei professor, passei a experimentar a facilitação de grupos. Em São Paulo, fiz um curso de empreendedorismo através do autoconhecimento. A soma disso tudo acabou levando à criação do Ninho de Escritores. Desde então, tenho estudado sobre comportamento humano, gamification, design, educação, facilitação de processos e criatividade para dar meus próximos passos. 

“Trabalho para  as pessoas que entendem a importância de dedicar um tempo para cuidar de si, de sua história e do contato com outras pessoas. Meu trabalho existe para facilitar a vida de quem constrói mundos mais inclusivos e conectados”

 

Quais são os maiores desafios que você encontrou para fazer o que faz hoje?

Os maiores desafios têm a ver com dinheiro, disciplina e autoconfiança. O dinheiro é um problema porque volta e meia me pego pensando que não mereço ganhar dinheiro para trabalhar com o que amo. Aprendi que trabalho é aquela coisa dolorida e desgostosa, então é difícil trocar essa imagem. A disciplina para trabalhar por conta própria e vencer o desejo da gratificação instantânea é ainda uma dificuldade. E a autoconfiança… às vezzes ainda me pego olhando no espelho e me questionando se realmente sou capaz de fazer o que faço. Lidar com os três fica mais fácil com o tempo, mas esses desafios ficam voltando de tempos em tempos.

 

O que significa propósito para você? Como você traduz isso no seu trabalho?

Eu entendo propósito como o motivo pelo qual eu faço o que faço. Meu trabalho é criar ambientes de apredizagem em que as pessoas possam experimentar as melhores versões de si mesmos. Meu trabalho é, portanto, a plena tradução do meu propósito.

 

Qual sua ideia de sucesso? Essa sempre foi a sua visão?

Quando comecei a trabalhar por conta própria, minha ideia de sucesso tinha a ver com ganhar muito dinheiro e trabalhar muito pouco. Agora essa ideia está mais conectada com causar mudanças reais na vida das pessoas que estão ao meu redor. Uma pessoa no lugar e na hora certa pode mudar uma vida inteira. Sucesso, para mim, é ser essa pessoa para tantas outras pessoas quanto for possível.

 

Quando encontra obstáculos pelo caminho em que você se apoia?

Em 2017 eu finalmente aprendi o poder da colaboração. Quando encontro obstáculos pelo meu caminho, eu me apoio em amigos, colegas e clientes. Peço ajuda em público, ligo para alguém que possa me ouvir. Eu não preciso lutar sozinho.

 

Qual sua relação com os erros e fracassos? Quais foram os maiores aprendizados que você extraiu dos seus tropeços?

Eu não tenho medo de fracassar, mas me sinto muito mal quando alguma coisa sai diferente do que eu gostaria. O maior aprendizado recente tem a ver com as pessoas que escolho para caminhar comigo. Colaborar não quer dizer colaborar com qualquer pessoa: preciso de gente que cumpra os acordos e que consiga sustentar a energia do projeto. Fora isso, um aprendizado contínuo tem sido a noção de que o sonho é meu e ninguém além de mim é responsável por ele. Se eu não agir, nada vai acontecer.

 

Conta para gente qual foi a principal crença que você ressignificou ao longo da sua trajetória?

A ideia de que precisamos de uma autoridade nos dando permissão para fazermos o que quer que seja. No final das contas, autoridades são apenas ficções, nada mais que discursos e narrativas costurados por outras pessoas que são tão falhas quanto eu.

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Que dica você gostaria de deixar para quem quer planejar uma vida e a carreira que amem?

Vou parafrasear meu mestre de aikido: sonhe grande, faça pequeno, comece agora. Qualquer vida ou carreira só existe a partir do momento em que é colocada em ação, então é melhor começar já. Depois que estamos andando fica mais fácil fazer ajustes de coerência.


Inspirado? Agora chegou a sua vez de construir a vida e a carreira que mais combina com você e o seu momento!