Aqueles que buscam seguir seus talentos e paixões no trabalho com frequência podem se deparar com um certo dilema: Ok, mas qual das diversas opções devo seguir?

 

Essa grande dúvida provavelmente te assombrou durante uma boa parte da sua vida, caso você seja aquele tipo de pessoa que tenha uma pluralidade de interesses, muitas vezes, dissociados entre si.

 

O caminho mais comum e ao qual somos estimulados a seguir é o de especialista, no qual nos concentramos em uma única profissão ou área de atuação. Podemos trazer exemplos batidos desta opção profissional como: Advogado, Engenheiro, Fotografo, etc.

 

Mas também temos a possibilidade em sermos generalistas, desenvolvendo nossos diversos talentos e paixões em diferentes ramos do saber.

 

Focaremos nossa atenção nesta segunda vertente neste artigo, contudo antes de mais nada, precisamos navegar um pouco na história.

 

Há um motivo para que muitas pessoas sejam direcionadas a trabalhar em um campo de conhecimento limitado.

 

De acordo com o pensador cultural e autor de “Como encontrar o trabalho da sua vida”, Roman Krznaric:

 

“Durante mais de um século, a cultura ocidental nos diz que a melhor maneira de usar nossos talentos e de ser bem-sucedido na vida é nos tornarmos especialistas em um campo específico…”

“…Essa ideologia está, em grande medida, enraizada na divisão do trabalho que surgiu durante a Revolução Industrial, separando a maioria das tarefas em pequenos segmentos a fim de aumentar a eficiência e os níveis de produção”.

 

A especialização pode ser o caminho ideal para aqueles que são apaixonados por uma temática específica de trabalho, conseguem realizar as funções com facilidade, uma vez que possuem todas as habilidades necessárias, e podem atender um ideal de realização ao serem reconhecidos como especialistas em sua área de atuação.

 

Contudo, nossa cultura de especialização pode não fazer sentido para alguns, que reconhecem intuitivamente e compreendem que cada um de nós tem uma legião dentro de si.

 

Para Krznaric existem dois papeis nessa contracorrente que podemos escolher seguir: a decisão fica entre almejar o sucesso como um Realizador Específico ou como um Realizador Amplo.

 

O autor ainda cita as duas abordagens clássicas para ambas as possibilidades: nos tornarmos um “generalista renascentista”, com diversas carreiras simultâneas (Realizador Específico) ou um “especialista serial”, nos dedicado a uma atividade de cada vez (Realizador Amplo).

 

Renascentista? Você deve estar se perguntando…

 

…Sim! Eu disse que faríamos um mergulho no passado!

 

A ideia do realizador específico parte do ideal da Renascença de que alcançaremos a plenitude humana apenas quando fizermos tudo o que pudermos para alimentar a pluralidade dos nossos talentos individuais e as diferentes facetas das nossas personalidades.

 

A história jamais conheceu um realizador amplo mais completo no sentido da palavra e do conceito do que Leonardo da Vinci.

 

O criador do Homem Vitruviano foi uma das mentes mais curiosas que esse mundo já teve o privilégio de acolher. Ele não foi apenas um pintor reconhecido, mas também engenheiro, inventor, naturalista, filósofo e músico.

 

Ufa… E você não consegue nem terminar sua série favorita da Netflix! “Tsc, tsc, tsc”.

 

Da Vinci foi o exemplo pioneiro do que nos tempos atuais chamamos de “trabalhador de portfólio”, um termo cunhado pelo pesquisador em gestão Charles Handy.

 

Um trabalhador de portfólio desenvolve uma variedade ou “portfólio” de carreiras, cada qual, muitas vezes, realizada em meio expediente e em contrato freelancer.

 

Handy pontuou que está era uma estratégia de sobrevivência eficiente frente as constantes turbulências na economia, funcionando como uma forma de escapar do risco do desemprego.

 

Infelizmente, uma realidade que muitos brasileiros já estão acostumados.

 

Olhando por um ponto de vista mais otimista, desenvolver várias carreiras ao mesmo tempo é uma maneira de testar qual delas se encaixa melhor com suas experiências, interesses, valores e talentos e de quebra exercer os seus vários “eus”.

 

Ser um realizador específico não é para qualquer um. A quantidade de energia gasta para lidar com múltiplos desafios, e a perspectiva de instabilidade financeira é uma preocupação a ser considerada com cautela e reflexão.

 

Desta forma, pode ser que alguns sintam-se mais confortáveis explorando seus diversos talentos e paixões como um Realizador Amplo.

 

Neste caminho a palavra de ordem é nos imaginar construindo três ou quatro carreiras muito diferentes em sucessão, ao invés de buscar diversas atividades ao mesmo tempo.

 

Você pode pensar em começar com organização de eventos, depois, gerenciando uma ONG de inclusão social, e então migrando para o mercado financeiro.

 

Parece loucura?

 

A abordagem para ser um realizador amplo pode ser a melhor saída, se não a única, disponível num mundo em que a idade para aposentadoria vem encolhendo cada vez mais e a vida produtiva, se tornado cada vez mais longa.

 

As reformas trabalhistas e previdenciárias estão aí para provar o contrário. 

 

Se vamos precisar trabalhar mais, porque não alinhar essa esticada no período produtivo, para realizar algo que faça sentido para gente?

 

Uma mudança substancial de carreira pode nos ajudar a enxergar novas possibilidades, nos libertar de uma profissão que perdeu seus atrativos e nos permitir explorar as nossas diversas versões.

 

Eu por exemplo, realizei uma mudança de carreira e vou dedicar os próximos anos  para destravar as minhas diferentes versões, explorando meus  talentos e paixões, e se possível ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo no caminho.

 

Criei uma série chamada Diário Quebrando a Caixa onde compartilho as histórias dessa jornada de viver um sabático empreendedor. Dê uma olhada depois para se inspirar!

 

Ser várias coisas ao mesmo tempo ainda parece uma coisa ruim para você?

 

Talvez seja porque você ainda não viu a palestra “Por que alguns não tem uma vocação específica” realizada pela Emilie Wapnick, escritora, artista e coach de carreira no TedxBend.

 

 

 

 

Ela nunca foi capaz de responder propriamente à pergunta: “O que você quer ser quando crescer”

 

O problema não era a falta de interesses ou áreas do conhecimento que ela gostaria de explorar. Acontece que ela se empolgava por várias coisas diferentes!

 

Ela percebeu um padrão em seu comportamento na vida pós estudos. Quando se interessava por um assunto ou tema, mergulhava de cabeça e se envolvia totalmente até ficar muito boa no que se propôs.

 

Em determinado momento o engajamento era substituído aos poucos pelo tédio e ela se via atraída por um novo projeto sem nenhuma correlação com o anterior. Após algum tempo o padrão voltava a se repetir.

 

Esse padrão lhe causa muita ansiedade por dois motivos:

 

1. O receio de não conseguir com que qualquer um daqueles projetos abandonados se tornar-se uma carreira;

 

2. Um grande medo por acreditar que havia alguma coisa errada com ela, por constantemente desistir dos seus interesses.

 

 

Se identificou de alguma forma com essas sensações?

 

Para Emilie não há nada de errado com você.

 

Acontece que você é simplesmente um Multipotencial, termo usado por ela para descrever uma pessoa com múltiplos interesses e possibilidades criativas.

 

Barbara Sher, coach de carreira, palestrante e escritoria refere-se a esse grupo de pessoas como Exploradores.

 

Se você funciona assim e antes não sabia que termo usar para se descrever, agora você tem uma grande varidade de opções. Escolha uma!

 

Para alguns esses multi-potenciais podem ser facilmente vistos como uma fraqueza ou limitação a ser superada.

 

Contudo Emilie compartilha que as suas experiências provam justamente o oposto. Existem vários benefícios em ser um multipotencial.  Esses indivíduos possuem três superpoderes que qualquer pessoa amaria ter:

 

 

Síntese de ideias

A habilidade de combinar duas ou mais áreas de interesse e criar algo inovador com essa junção.

 

 

Aprendizado Rápido

O costume em ser iniciante em uma nova área com bastante frequência os ajuda a sair da sua zona de conforto e os conhecimentos aprendidos em outras áreas são reaproveitados em outras.

 

 

Adaptabilidade

Algo que nós brasileiros conseguimos nos relacionar facilmente: tornar-se no que for necessário em determinada situação.

 

 

Emilie ainda recomenda que como sociedade vivendo em um mundo com problemas complexos e multidimensionais devemos encorajar os multipotenciais a serem eles mesmos em sua essência.

 

A palestrante dá o recado:

 

“Compreenda e aceite a sua forma de funcionar, seja ela qual for!” 

 

 

Caso tenha se descoberto um multipotencial lendo este artigo permita-se cultivar suas diferentes paixões, use a sua curiosidade para explorar novos caminhos e investigue as suas intersecções.

 

Viver uma vida e carreira alinhada com a nossa forma de funcionar nos permite aproveitar uma vida mais autêntica e consequentemente mais feliz.

 

 

Pare de sofrer! Abrace a sua pluralidade!!!

 

 

Você é um multipotencial? Deixe nos comentários como utiliza seus diversos super poderes e navega as possibilidades da vida.

 

Tem algum amigo(a) que talvez funcione dessa forma? Compartilhe este artigo com ele e ajude o mundo a abraçar mais exploradores: